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O que a eleição de Jair Bolsonaro ensina sobre comunicação?

Homem de mais ou menos 55 anos de terno, sorrindo. Com o braço direito esticado, forma a letra V com os dedos

A eleição de Jair Bolsonaro (PSL), no domingo, 28 de outubro de 2018, por 55,13% dos votos válidos, contra Fernando Haddad (PT), que obteve 44,87%, apresenta importantes ensinamentos sobre o uso das redes sociais aos demais candidatos e políticos brasileiros.

Como o próprio Jair Bolsonaro disse em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, ele decidiu se candidatar à presidência da república já em 2014, quando ainda era filiado ao também nanico PSC. Desde então, o capitão da reserva apostou na estratégia de uso do Twitter e do Facebook para falar com seus eleitores. Vale lembrar que ele é deputado federal há 27 anos e já tinha muitos seguidores cativos. Ele foi o candidato à Câmara Federal mais votado entre os fluminenses em 2014.

-Mas, Daniel, todo mundo já não está nas redes sociais? – perguntaria alguém. Ao que tudo indica, a minoria faz isso com eficiência. Todos estão lá, mas nem sempre sabem o que fazer. Bolsonaro também não sabia, mas aprendeu no período de pré-campanha com o a ajuda do filho Carlos e muito provavelmente, com uma equipe estruturada para distribuir o conteúdo.

Além de que nunca é demais dizer que em 2013, o Brasil teve uma de suas maiores manifestações populares em relação à insatisfação com a política e foi a partir das redes sociais que as pessoas se mobilizaram para irem às ruas. Naquele momento, um fato era claro: a mudança, na política e no uso das plataformas digitais, como campo político de fato.

Com um discurso conservador forte, também muito presente no ápice dos protestos de 2013, o presidente eleito contagiava cada dia mais seguidores, utilizando um conceito básico das redes sociais: a comunicação horizontal, ou seja, quando se fala de “igual para igual” com os seguidores. Na grande maioria das legendas e candidaturas costuma-se usar uma comunicação vertical, por meio de veículos onde a presença dos espectadores é meramente passiva, de contato quase nulo com quem fala.

Bolsonaro sabia que em um partido pequeno, como o PSL, pois não queria se filiar a um grande que dominasse a política brasileira, teria pouco tempo de televisão, apenas 8 segundos. Portanto, ele precisava de uma outra estratégia para se tornar mais conhecido.

A cada assunto conservador, ou que mostrava suas diferenças em relação aos governos do PT, Bolsonaro conquistava mais seguidores que pensam da mesma maneira, que amplificavam as declarações do agora presidente eleito da república em suas próprias redes sociais. Essas pessoas se tornaram ao mesmo tempo os principais defensores do candidato que falava igual a eles e o que eles queriam ouvir.

Durante a fase de recuperação da facada que levou durante a campanha eleitoral, em 6 de setembro de 2018, em Juiz de Fora (MG), Jair Bolsonaro passou a utilizar ainda mais as redes sociais para informar a situação de saúde e também fazer campanha diretamente do hospital.

Twitter: a principal estratégia direta da campanha de eleição de Jair Bolsonaro

Na recuperação em casa, o presidente eleito continuava usando o Twitter para se comunicar com o eleitorado e assim também era acusado por seus adversários de fugir dos debates de TV.

Essa estratégia, aliada à imunidade parlamentar como deputado federal, permitia a ele, falar o que e como bem entendia, sem nenhum pudor ou tipo de autocensura. Portanto, tornando-se o candidato perfeito para quebrar a hegemonia do PT e romper com o sistema estabelecido, inclusive atacando os veículos de imprensa que produziam notícias contrárias a ele, sobretudo, a Folha de São Paulo, a qual ele mesmo chama de “fake news”

Aliás, esse foi um assunto que dominou a campanha eleitoral e merece uma publicação específica em breve.

Muito semelhante à estratégia do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o Twitter foi a plataforma que Bolsonaro usou para fazer o primeiro pronunciamento como presidente eleito aos seguidores, onde manteve o discurso forte contra o PT. Diferentemente de como ele falou em um discurso lido para um conjunto de canais de televisão.

O próprio anúncio da equipe ministerial deve ser feito também através do Twitter, como o eleito presidente mesmo declarou.

E como será a relação do novo presidente com seus seguidores nas redes sociais?

3 comentários sobre “O que a eleição de Jair Bolsonaro ensina sobre comunicação?

  1. SIMONE LUCIA DE SOUZA E SILVA disse:

    Excelente reflexão!
    Parabéns Luis sempre buscando excelência em tudo o que faz!

  2. Andreia Aparecida de Carvalho disse:

    Parabéns, ótima reflexão!

  3. Claudia Braz disse:

    Otimo texto Luis Daniel!
    Parabéns !

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